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13 de maio – 132 anos da falsa abolição; a luta continua!

A data ressalta as desigualdades ainda existentes, reflexo de anos de uma falsa abolição

quarta-feira 13 maio 2020 às 10:04

Em 13 de maio de 1888, foi decretado o fim da escravidão legal no Brasil, com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. O país foi o último do Ocidente a abolir a escravatura, após três séculos de trabalho forçado. Historicamente, o ato é lembrado como uma vitória dos negros com a total extinção da escravidão no Brasil. Mas integrantes de movimentos que lutam pela igualdade racial até os dias atuais não veem a ação por esse mesmo viés.

Ressignificar o Dia da Abolição da Escravatura. Esse é um dos objetivos do Movimento Negro na constante busca pela igualdade entre raças, que atravessa séculos.

Portanto, essa não é uma dada comemorada ou que se faz alusão. Para o movimento, não houve abolição, é uma verdadeira farsa. Quando foi feita a soltura dos africanos escravizados, não houve um projeto de integração dessa população à sociedade. Os negros foram colocados à margem da sociedade. E anterior à lei Áurea, há a Lei dos Sexagenários, que contribuiu para o abandono de negros idosos.

Por fim, o dia 13 de maio é um dia de denúncia contra a falsa abolição que ainda mantém a população em condição de desigualdade quando comparada a população branca.

Os negros e a pandemia

De acordo com o editorial “A cor da renda”, produzido pela Folha de São Paulo, no dia 10, a diferença de renda entre negros e brancos  alcança um patamar de 55,8%; 47,5 deles são trabalhadores informais, e 66% dos homens e mulheres  negros compõe o grupo dos desocupados e subutilizados no mercado de trabalho.

A herança da longa escravidão está estampada quando, em tempos de pandemia, nos deparamos com essa população, parte da classe mais empobrecida da sociedade, parecer estar morrendo mais da doença. Essas pessoas ocupam as favelas, bairros pobres e ocupações, que muitas vezes não tem água potável, estão expostas a uma mobilidade urbana que aglomera – trens, ônibus, metrô – e, ainda por cima, detém grande incidência de comorbidades, pois não tem acesso a uma assistência médica de qualidade.

Nesse sentido, o nosso país está desafiado a reconstruir o seu olhar para a combater à diminuição das desigualdades e na construção de políticas públicas que possam garantir a participação equitativa dos negros brasileiros. E a sociedade, está desafiada a fazer a sua parte, respeitando e construindo debates antirracistas e contra as desigualdades. 

 

Poema de Pedro Laurentino, Direitor do Sintrajufe/PI:

Ébanos

Há cores pardas
de dorsos nus
e pés descalços
que no asfalto
parecem azuis

Vivem debaixo
de olhos altivos
que os matam vivos
e extraem os cascos
como aos tatus

Cores marrons
cabeças baixa
vendendo umbus
cuscuz, bombons
graxas, beijus
levando escrachos
feito urubus

Cores mulatas
como uma mancha
que não desmancha
o nó ardente
que prende e ata
dois continentes
na mesma cruz

Peles escuras
de gente clara
de olhos secos
e almas puras
sangrando pus

E uma faca dura
de ponta torta
que fere e corta
mas não conclui
só deixa exposta
na fila morta
da antessala
de uma senzala
chamada SUS

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