Nos anos 80, a professora Arcelina, da Universidade de Brasília (UNB), foi viver um mês na casa de família que ganhava Salário Mínimo, e passou 30 dias com o dinheiro equivalente. A experiência, entre trágica e surrealista, rendeu um livrinho chamado “Crônica do Salário Mínimo”. Naquela época, o Mínimo era, literalmente, salário de fome. Muito longe do valor original estabelecido por Getúlio Vargas e mais distante ainda do seu ápice, que ocorreu no governo Juscelino Kubitschek. Segundo informa o Dieese, o Mínimo naquele momento equivaleria a R$ 1.450,00 hoje. Mas a história do salário mínimo vem de mais longe. Conta o jornalista Sérgio Gomes que tudo começou na grande greve operária de 1917, quando o sindicalismo de face anarquista parou São Paulo, num movimento que nunca mais aconteceu com tamanha adesão, intensidade e repressão. Segundo Sergião, os operários, surpresos com o tempo livre gerado pela greve, tiveram a idéia de calcular qual seria o salário básico para uma família humilde viver. Foi a primeira pesquisa real sobre a cesta-básica e o verdadeiro nascimento do salário mínimo, depois calculado e instituído por Getúlio, em 1940. Na época da ditadura, o jornal Pasquim desmoralizou o Salário Mínimo de CR$ 76,80, estabelecido pelo ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen. O Pasquim ficou intrigado porque o Mínimo não era um valor redondo. Por que CR$ 76,80?! E a resposta foi: era o valor exato que uma família de quatro pessoas gastava em 30 dias para consumir um café e um pão francês (sem manteiga!), fazendo quatro frugais refeições diárias. Como tudo o que tem de piorar acaba piorando mesmo, hoje o salário de R$ 300,00 vale menos que o de Mário Simonsen. E quem refaz a conta é o Pio, jornal humorístico de Limeira. A conta toma por base um cafezinho a R$ 0,70 e um pãozinho a R$ 0,25. Feitas as multiplicações, o Mínimo (com as mesmas quatro refeições à base de café e pão) chega à casa de R$ 456,00. Portanto, muito acima do Mínimo de R$ 350,00 que está sendo acordado num pacto entre governo e Centrais. Por tudo isso é que aumentar o Salário Mínimo, de fato, significa fazer uma revolução econômica e social no Brasil, melhorando, diretamente, a vida de 20 milhões de pessoas, entre aposentados e da ativa. Por tudo isso, o Salário Mínimo ainda é o mais eficiente (e legal) meio de distribuir renda em nosso País, constituindo-se no verdadeiro programa “Fome Zero”. Se não zero, pelo menos quase!