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Áudios inéditos têm relatos de tortura na ditadura militar no Brasil

Gravações permitem ouvir ministros da época conversando sobre episódios de tortura.

segunda-feira 18 abril 2022 às 10:56

Em gravações inéditas de sessões do Superior Tribunla Militar (STM), durante a ditaura militar (1964-1985) é possível ouvir sete ministros da época conversando sobre episódios de tortura, são eles: Rodrigo Octávio, Augusto Fragoso, Waldemar Torres de Costa, Júlio de Sá Bierrenbach, Deoclécio Lima de Siqueira, Amarílio Lopes Salgado e Faber Cintra.


Os áudios, que ao todo somam 10.000 horas, foram obtidos e analisados pelo historiador Carlos Fico da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Uma parte deles foi divulgada neste domingo (17.abr.2022) pela jornalista Míriam Leitão em seu blog no jornal O Globo.


Nos registros, é possível ouvir alguns ministros, como o brigadeiro Faber Cintra, duvidando dos relatos de tortura. Outros, como o general Rodrigo Octávio, solicitam apuração dos casos. Há relatos de tortura com marteladas e choques elétricos, inclusive a mulheres grávidas, e em seus órgãos genitais.


Alguns dos ministros aceitam quando as acusações são contra o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), órgão do governo brasileiro da época. Outros, como o general Augusto Fragoso, reagem quando os processos acusam as Forças Armadas. Ao G1, o historiador Carlos Fico disse que desde 2018 analisa os áudios e já está na metade do processo, o que abrange o período de 1975 a 1979.


Em 10 de dezembro de 2014, a Comissão Nacional da Verdade divulgou um relatório no qual responsabilizou 377 pessoas por crimes cometidos durante a ditadura, entre os quais tortura e assassinatos. O documento também apontou 434 mortos e desaparecidos na ditadura, e 230 locais de violações de direitos humanos. Eis a íntegra do Volume 1 (10 MB), Volume 2 (4MB) e Volume 3 (17MB) do relatório. À época da divulgação do documento, o Clube Militar chamou o arquivo de “coleção” de “calúnias” e de “absurdo”.


A jornalista Miriam Leitão, que teve acesso aos áudios, foi presa e torturada durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985). Em um de seus relatos, ela, que estava grávida à época, conta que foi colocada em uma sala escura com uma cobra.

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