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Campanha tem desafio de repor inflação desde último PCS, que já deixa salário real 1/3 menor

Inflação, que soma 35% desde PCS-3, e aumento da receita reduzem poder de compra e gastos relativos da União com salários, enquanto metade do orçamento paga dívida pública   Os servidores do Judiciário Federal participam da campanha salarial do funcionalismo, iniciada com ato no dia 15 de fevereiro em Brasília,  tendo dentre seus desafios reverter […]

quinta-feira 23 fevereiro 2012 às 19:58

Inflação, que soma 35% desde PCS-3, e aumento da receita reduzem poder de compra e gastos relativos da União com salários, enquanto metade do orçamento paga dívida pública

 

Os servidores do Judiciário Federal participam da campanha salarial do funcionalismo, iniciada com ato no dia 15 de fevereiro em Brasília,  tendo dentre seus desafios reverter um quadro de perdas salariais que já dura cinco anos e acumula uma inflação não reposta de 35%. O ano de 2011 para a categoria foi marcado pela luta quase ininterrupta para aprovar a revisão do Plano de Cargos e Salários, o PCS-4, que esbarrou na manutenção, por parte da presidenta Dilma Rousseff, da política de ‘reajuste zero’ iniciada pelo ex-presidente Lula.

 

A campanha Salarial Unificada do funcionalismo tenta somar forças para superar este cenário e o inevitável desgaste decorrente do resultado do embate do ano passado. O desafio é grande. Mas não há espaço para desânimos nem tempo a perder. Constatação reforçada pela análise dos dados relativos à inflação dos últimos anos feita pelo Departamento de Economia do Sintrajud-SP. Em cinco anos e meio, desde o último PCS, aprovado em junho de 2006, até janeiro de 2012, a inflação já corroeu mais de um terço dos salários dos servidores do Judiciário.

 

Alimentos:aumento de 59%

 

De acordo com o índice calculado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas) para aferir o aumento do custo de vida, o ICV, a inflação acumulada nesse período já soma 35,11%. O poder de compra dos salários está, portanto, mais de um terço menor. “É necessário um reajuste de 35,11% no conjunto da remuneração para recompor os valores aos de junho de 2006”, observa o economista Washington Lima, na analise divulgada pelo departamento do Sintrajud.

 

Ele explica que este índice é uma ponderação de diversos índices que integram o consumo da população. Olhar mais detalhado sobre áreas de consumo mostra que, a depender do peso de cada uma delas na vida do trabalhador, as perdas podem ser muito mais elevadas. “Vários tópicos específicos, fundamentais para os servidores, tiveram elevação bem maior do que o índice [geral]. É o caso das despesas com alimentação, que subiram impressionantes 58,87%, ou da educação com cursos formais, com majoração de preços de 47,60% no período”, ressalta o economista.
País ainda paga mais altos juros

Despesas com salários diminuíram

 

Ao analisar os dados do Dieese, Washington também destaca o fato de que enquanto a inflação corroía os salários, a arrecadação da União com impostos crescia muito no mesmo intervalo de tempo. Com isso, observa, as despesas relativas com salários de servidores caíram de 2006 para cá, se comparadas ao total das receitas.

 

Ao mesmo tempo, porém, o governo segue gastando boa parte do que arrecada com o custo das dívidas públicas. “Essa política que prejudica os servidores para beneficiar a especulação financeira faz com que o Orçamento de 2012 tenha mais de 47% dos gastos destinados ao pagamento da dívida – juros, amortizações e refinanciamento. Em 2011, do total do Orçamento, foram mais de 44% destinados também ao pagamento da dívida”, critica. Ele ressalta que o país paga os juros mais altos do mundo, muito superiores aos de países europeus que atravessam uma grave crise econômica que, por enquanto, não se observa com igual peso no Brasil. “É uma situação incrivelmente inversa. Isso só tem uma explicação, que é a grande submissão do governo brasileiro aos interesses dos banqueiros e especuladores”, afirma.

 

PCS já é inferior à inflação

 

Ao participar da campanha salarial unificada, os servidores do Judiciário vão defender demandas gerais, como uma política permanente de reposição das perdas salariais e o arquivamento de projetos que retiram direitos da categoria, mas também vão dar sequência à luta pela aprovação do PCS-4 – que, se aplicado hoje, significaria um aumento de 33,48% no custo total da folha de pagamento do Judiciário.

 

O percentual é, portanto, um pouco inferior à inflação do período, o que derruba os argumentos do governo, amplificados pela mídia, de que o projeto prevê aumentos estratosféricos para o setor.

 

Por Hélcio Duarte Filho

Luta Fenajufe Notícias

Quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

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