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TRT-PI realiza evento em homenagem a Esperança Garcia e reforça debate sobre representatividade negra na Justiça

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O Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região promoveu, na manhã desta segunda-feira, às 8h30, no hall de entrada da instituição, uma programação especial em alusão ao Dia da Consciência Negra e em homenagem a Esperança Garcia, mulher negra reconhecida como a primeira advogada do Brasil.

O evento foi conduzido pela servidora Justina Gonçalves, diretora do SINTRAJUFE, que ressaltou a importância de celebrar o legado de Esperança Garcia e de manter vivo o debate sobre desigualdades raciais dentro das instituições públicas, especialmente aquelas responsáveis por garantir direitos.

Em seguida, o presidente do TRT-PI, Desembargador Tessio da Silva Torres, fez uma fala consciente sobre a sub-representação de pessoas negras nos espaços de poder, incluindo o Judiciário. O magistrado também prestou uma homenagem às estudantes do Programa Vozes Negras na Justiça, iniciativa que incentiva a presença de pessoas negras em posições de destaque e liderança.

O evento contou com a participação de Mamadú Saido Djaló, servidor do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que chamou atenção para a contradição entre a composição demográfica do Piauí, onde a maioria da população é negra, e a baixa diversidade racial nas estruturas de comando do sistema de justiça. 

A servidora Creuza Sales destacou a exposição disponível durante todo o mês de novembro no hall do TRT, reunindo obras e materiais que valorizam a história, a cultura e as produções sobre o povo negro. A ação é parte do trabalho do Centro de Memória, Vivências e Cultura, reforçando o compromisso institucional com a preservação de narrativas negras.

Um dos momentos mais emocionantes da manhã foi a leitura dramática da Carta de Esperança Garcia, realizada pela servidora Diane Alaide, revivendo a potência histórica do documento escrito pela mulher escravizada que denunciou violências e injustiças no século XVIII. Diana também apresentou a leitura de seu poema “Consciência Racial Pelas Lentes do Amor”, enquanto o poema “Ébanos”, do diretor do SINTRAJUFE, Pedro Laurentino, também integrou a programação.

Promover memória, abrir espaço para a arte negra, reconhecer desigualdades históricas e incentivar a ascensão de pessoas negras ao Judiciário não é um gesto simbólico, é um dever institucional. O evento reforça a necessidade de que tribunais de todo o país se comprometam, de forma permanente e prática, com políticas de inclusão que rompam com estruturas racistas ainda presentes nas instituições.

A força da história de Esperança Garcia, somada às vozes que se levantaram nesta manhã, lembra que a construção de um Judiciário verdadeiramente democrático só será possível quando pessoas negras não forem exceção nos espaços de poder, mas presença garantida, respeitada e valorizada.